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Manter carro importado tem custo similar ao nacional

O Portal D24AM comparou preços de peças genuínas de modelos populares, motor 1.0 e de comerciais leves, com motorização acima de 2.0, de montadoras nacionais e estrangeiras.

Manaus – Os custos de manutenção dos automóveis importados já são praticamente similares e, em alguns casos, mais baixos do que os produzidos pelas montadoras no País. A exceção é para os antigos modelos importados, cujos donos enfrentam dificuldades para encontrar peças.

O Portal D24AM comparou preços de peças genuínas de modelos populares, motor 1.0 e de comerciais leves, com motorização acima de 2.0, de montadoras nacionais e estrangeiras. Em boa parte dos itens orçados, a média de valores ficou bastante próxima.

Na faixa popular, a marca que apresentou os menores preços foi a chinesa Chery. Um kit de pastilhas de freio para o modelo QQ, por exemplo, tem custo de R$ 74,73, enquanto que o mesmo produto para o Novo Uno, da Fiat, é de R$ 121,94. “Nossos produtos têm um ótimo custo-benefício, pois são importados pela moeda chinesa, o yuan, que tem baixa cotação”, afirma o gerente geral da concessionária Chery Bei Motors, Augusto Soares.

O preço mais alto foi orçado pela montadora coreana Kia. As pastilhas do modelo Picanto custam R$ 251,28. O modelo foi o que apresentou os maiores custos em todos os itens. No caso dos faróis, os preços variaram de R$250 aR$ 350, mas no caso do Picanto, o farol custa R$ 873.

Entre os modelos comerciais leves, que incluem picapes e SUVs, o Fiat Freemont é o modelo com os maiores preços. Apesar de produzido no México, o veículo goza de isenções de importação, além de possuir uma ampla rede de distribuição de peças no Brasil. O vidro da porta dianteira do modelo custa R$ 1.290, enquanto o preço entre os outros modelos pesquisados variou de R$164 aR$ 810.

Nas médias mais baratas, as picapes S10, da nacional Chevrolet, e Frontier, da japonesa Nissan, apresentaram os melhores custos. O amortecedor dianteiro da Frontier, por exemplo, custa R$ 186,46, e as pastilhas de freio da S10 custam R$ 261.

De acordo com o proprietário da Oficina Modelo, o mecânico Guilherme Queiroz Barbosa, se o dono fizer a manutenção do veículo com regularidade, o importado não trará problemas. “Pode investir com tranquilidade no importado. Hoje em dia a oferta de peças já é maior e os preços estão melhores”, afirma.

Para o proprietário do Centro Automotivo Platinado, Luis Setubal, o maior problema dos carros importados não está no preço das peças, mas na dificuldade de encontrá-las no mercado. “Os carros importados são muito bons, mas de preferência no País de origem deles, onde encontrar peças é fácil. É como ter um Gol na Índia, apesar de ser um ótimo carro, o cliente terá problemas para encontrar certas peças”, observa.

Em casos mais complicados, é comum o cliente ficar com o carro parado aguardando até um mês para a peça chegar a Manaus.

Segundo apurou o Portal D24AM, entre as concessionárias de importados, a Nissan foi a única que possuía centrais de injeção eletrônicaem estoque. As outras revendedoras só vendiam o item mediante encomenda. Se o carro tiver boa manutenção, é difícil que a peça apresente defeito. “Quando dá problema, essa peça é praticamente o coração do carro”, afirma o dono da oficina Platinado.

Luis Setubal observa ser raro que veículos novos, com até três anos de uso, apresentem problemas. Se o cliente pretende ficar por mais tempo com o automóvel, é bom pensar duas vezes antes de adquirir um importado. “Quem usa o carro para passear e troca por um novo de três em três anos não tem com o que se preocupar. Mas se a pessoa utiliza o carro para trabalhar ou se pretende ficar com ele por bastante tempo, é bom considerar os problemas que possam aparecer, pois ficar com estes carros parados pode dar prejuízo”.

Foi isso o que aconteceu com o jornalista Mario Adolfo, que em 1997 adquiriu o modelo esportivo Neon, da norte-americana Chrysler. Ele trouxe o veículo de Goiás e nos primeiros cinco anos de uso, o carro não apresentou problemas. “Mas o grupo que mantinha a concessionária aqui em Manaus resolveu fechar a loja e os problemas começaram a aparecer. Levei em vários mecânicos, mas nenhum sabia mexer e não encontrava mais peças de reposição. Chegou um momento em que eu só encontrava as peças em Miami”, conta.

O carro acabou em um estacionamento e aguarda até hoje o dia em que poderá rodar. “Gastei algo em torno de R$ 8 mil e não consigo fazer com que ele volte a ser o que era”, afirma.

Apesar disso, Adolfo não se arrepende da compra e, depois disso, já investiu em outros veículos importados. “Hoje o carro importado e o nacional concorrem diretamente quanto à qualidade”, observa.

Garantia é atrelada aos revendedores

Para manter a garantia do veículo e os benefícios assegurados pelas concessionárias, como mão de obra gratuita nas primeiras revisões e substituição de peças por defeitos de fabricação, as lojas exigem que a manutenção seja feita apenas nas oficinas autorizadas e que a peças sejam substituídas apenas por itens genuínos. A regra vale tanto para os nacionais quanto para os importados. “A concessionária dá garantia por uma pastilha original, mas não para uma peça similar. Acontece muito de o cliente fazer a revisão obrigatória e decidir por trocar alguma peça em outra oficina. Depois eles aparecem aqui com problema, mas não podemos garantir um serviço que não fizemos e uma peça que não é genuína”, explica a coordenadora de agendamento de serviços da Garcia Veículos, revendedora Chevrolet, Magali Ciriaco.

Em alguns casos, os valores das revisões são tabelados pela revendedora, assim o cliente já sabe quanto vai pagar em cada revisão. Mas é preciso estar atento sobre o que está incluído neste preço. “Na primeira revisão, de 15 mil quilômetros, normalmente se troca o óleo, filtro de óleo e de ar. Tudo isso e a mão de obra estão inclusos no preço tabelado. São feitas também as verificações de luzes, freio e suspensão. Neste caso, se houver algum item com defeito, ele é coberto pela garantia, mas se tiver item com desgaste natural ou dano externo o cliente é informado para uma possível troca.

A primeira revisão do Palio, por exemplo, custa R$175”, afirma o gerente de assistência técnica da revendedora Fiat Via Marconi, Ricardo Ferreira Rodrigues. O cliente pode consultar o preço de sua revisão no site da concessionária (www.fiat.com.br).

A Nissan e a Chery também possuem preços tabelados de revisão. No caso da Chery, os valores, que não incluem alinhamento e balanceamento, podem ser consultados no site www.cherybrasil.com.br/chery-mais. A primeira revisão de um QQ, por exemplo, que é feita com 2,5 mil quilômetros custa R$ 108.

A Nissan também apresenta sua tabela no site (www.nissan.com.br). A primeira revisão de uma Frontier, exigida com 10 mil quilômetros custa R$ 191.

Mercado oferece componentes similares

Depois que a garantia acaba, é possível encontrar no mercado uma grande variedade de peças similares para veículos nacionais.

São peças de fabricantes renomados, como Cofap, Bosch e NGK, mas que saem por uma fração do valor da genuína. Um jogo de pastilhas de freio para o Gol, por exemplo, é vendido por R$ 212,18 na concessionária, enquanto o produto da marca Lona Flex é vendido por R$ 14,84 na autopeças Pemaza.

No caso dos importados, encontrar peças similares é mais difícil, mas existem adaptações. “Dependendo da peça, é possível encontrar itens nacionais que servem bem, sem causar danos”, afirma o mecânico Guilherme Barbosa.

A oficina Platinado desenvolveu cubos de rolamento e até uma peça de motor. “Conseguimos desenvolver este volante de motor, que na concessionária custa R$ 4 mil. Aqui a peça sai R$ 1.850 e ainda damos três anos de garantia, enquanto a original tem três meses de garantia”, conta.

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About the Author : Silver Gama


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